terça-feira, 10 de novembro de 2009

50%


Hoje faltam exatamente três meses para meu retorno ao Brasil. Sim, já estou na metade da viagem, e lembro como se fosse ontem minha chegada aqui. Minha primeira publicação para o blog, meus primeiros passeios, lembro como se fosse ontem, minha festa de despedida.
Não tem como negar que o tempo está voando e que a cada dia que passa eu fico mais acostumado à rotina que tenho aqui. Por exemplo, estou aqui escrevendo, ouvindo minhas músicas, pensando no que tenho pra fazer amanhã, nos trabalhos da faculdade, no final de semana que está por chegar, e assim vai. Incrível. Tem sido uma nova vida, novas rotinas, mesmo que por pouco tempo. Isso eu acho que tem me dado mais vontade em vivenciá-las, o pouco tempo que me resta.
Semana passada, que pra mim parece que foi hoje a tarde, fomos para Milão, apenas com um objetivo: ir à partida de futebol entre Real Madri e Milan. Tudo bem que demoramos para comprar e que ficamos praticamente na caixa d’água do estádio e quase precisamos de um binóculo, mas valeu muito a pena. O jogo não poderia ter sido diferente, foi um espetáculo. E fiquei realmente surpreso com as pessoas dentro do estádio. Achei que veria bagunça, brigas, sujeira. Mas foi tudo ao contrário. Lembrando que estávamos na parte ralé do estádio. Risos.
Semana passada também foi minha primeira apresentação de trabalhos. Na aula de italiano. O trabalho consistia em apresentarmos nosso país para o restante da turma. Foi tudo tranqüilo, e com muito prazer falei do meu Estado. Já, nessa semana, entreguei com meu grupo de projeto, a primeira parte do trabalho. Está tudo caminhando bem. E quase me esqueci de comentar, já comecei a falar italiano. Risos. Pouco, bem pouco, mas consigo me virar sozinho já.
Bom, pegando esses três meses que já se passaram, eu sou obrigado a fazer uma análise sobre minha pessoa, sobre o que eu modifiquei, sobre o que aprendi, entre outras coisas. Acreditem, continuo igual. Porém, mais maduro, eu acho. Estou feliz por perder horas pensando em como vou fazer para crescer profissionalmente quando voltar, ou como será morar em um apartamento com meu dálmata. Sim, eu quero e vou morar em um apartamento com meu dálmata. Ele vai curtir, certamente. Por falar no Baltazar, tenho conversado com ele pela web cam, e ele vai muito bem obrigado. Com muita saudade pelo que notei. Risos.
Continuando a análise. Não modifiquei meu jeito de ser, muito menos vou deixar de fazer festas por exemplo, porque estou super maduro e quero saber só de trabalhar e estudar. Fica dica pai e mãe. Risos. Até porque aqui qualquer motivo é motivo pra festa. Continuo feliz, e tive a sorte de encontrar pessoas ótimas aqui, que na mesma busca que eu acabaram encontrando um grupo de amigos muito especial do qual faço parte. Fazemos parte. Agora, dos vários roteiros que eu faria sozinho, ou eles fariam sozinhos, muitos serão todos juntos.
Não posso deixar de comentar que os italianos tem sido muito receptivos com a gente. O meu grupo de projeto é um exemplo. Conhecem os jogadores de futebol, as praias, as cidades, as comidas do Brasil até melhor que eu. Quero ver se motivo eles a irem me visitar, seria legal.
Bom, outra coisa que aprendi foi utilizar meias e cuecas brancas na seqüência, e depois meias e cuecas coloridas. Isso porque facilita na hora de lavar roupa. Aprendi também que quando você finge que não vê as traças no apartamento que você está, você também não encontra furos nas suas roupas. Aprendi que se lavar as camisetas e já deixar no varal secando no próprio cabide, elas já ficam mais fáceis para passar. E que lavar as panelas logo depois de usá-las é muito mais fácil pra remover a sujeira. Vida de Maria. Que nada, vida independente, prática e organizada.
Nesses meses que estou aqui, a maldita saudade tem sido um dos melhores sentimentos que eu tenho sentido. A ansiedade por voltar, como muitos falam que eu tenho, não é porque estou morrendo de saudade, ou porque não estou curtindo aqui como deveria, e sim porque a vontade de dividir todas as vivências e experiências, com meus melhores amigos e familiares é imensa. Pense você também, tem como não aproveitar viajando pra tudo que é canto, conhecendo gente nova a cada dia, fazendo o que gosto, agora também indo à academia, isso tudo somado à aulas e trabalhos?Risos. É, tem gente que não curte. Eu estou achando a melhor experiência da minha vida.
Enfim, esses três meses tem me tornado cada dia mais seguro de mim, do que eu devo ou não falar, de como falar, com quem falar, e assim por diante. Tenho me tornado mais paciente, graças a Deus. E já deixei de lado um pouco a ânsia por ter que deixar tudo sempre limpo e organizado, o que é uma pena, já que não tem quem vença a poeira da Itália. Um minuto de silêncio pra poeira da Itália. Ok. Sério, eu não vim aqui como escravo pra ficar varrendo ou passando pano no apartamento 24 horas por dia. A gente limpa a casa, e no dia seguinte, sem explicação, ela está suja de novo. Eu digo ok. Risos.
Nisso tudo também, pequenas coisas no Brasil passaram a ter muito mais valor agora. Como ficar em casa olhando televisão na sala, e meus pais lá no quarto deles. Tudo bem que eles estão lá e eu na sala. O que importa realmente é ter eles por perto.
É muito importante pra mim agora também ir no cinema. Quem me conhece sabe que eu gosto só um pouco de cinema, e todo ritual que se fazia de parar na fila, ficar conversando na fila, comprar os tickets, o refrigerante, a pipoca, parar em mais uma fila pra entrar na sala do cinema, ficar conversando, entrar, sentar, trocar de lugar, sentar, trocar de novo, sentar, conversar, falar mal de alguém, conversar, falar mal de alguém, olhar os trailers, conversar, marcar o próximo cinema, conversar, olhar o filme e conversar, e comer pipoca, e tomar refrigerante, e claro, conversar. Depois, sair do cinema, comer um xis talvez, dentro do carro, depois largar as caronas em casa, chegar em casa, olhar fantástico, falar no MSN, e assim vai. Que saudade disso. Serão semanas e semanas pra matá-la.
Enfim, valores super valorizados. Crescendo dia após dia. Então após ter feito uma ótima avaliação desses meses aqui, vou me dar um presente. Final de semana em Londres, com direito a festas e ótimos passeios. ANSIEDADE. Começo agora a viajar novamente, e praticamente todos meus finais de semana até minha chegada ao Brasil, serão ocupados por maravilhosos destinos.
É isso aí, saudades imensas de todos, de tudo. Beijos e abraços do felizão aqui!


terça-feira, 27 de outubro de 2009

Final de semana no Vale d'Aosta

Mais dias vão passando, mais coisas vou aprendendo, mais experiências vivendo, e muito mais coisas vou escrevendo. Incrível como em certos momentos nos sentimentos tão pequenos, tão medíocres e egoístas em relação ao mundo. Isso eu falo baseado no final de semana espetacular que vivenciei neste último.
Pois é, organizei com mais três amigas, brasileiras, (Belly, Tati e Leti – Muito queridas. Do Espírito Santo, que tem nos presentedo com suas ótimas companhias nas rodas de chimarrão que fazemos aqui), uma viagem de carro para o noroeste da Itália. Em direção ao “Mont Blanc”. Sabe né? Canetas Mont Blanc, coisa e tal. Pois é. Então, um final de semana que iria superar minhas expectativas começou. Traçamos um roteiro passando por Turim, Aosta, Arpy, e outras cidadezinhas na própria região do Vale d’Aosta.
Realmente foi perfeito. Primeiro que desde o Brasil eu não dirigia, e que saudade de dirigir. Foram 900 kilometros ida e volta. Deu pra matá-la. Sem dizer que nas estradas daqui andamos a uma velocidade média de 160km/h, e sim, o carro agüenta. É muito interessante também a questão dos pedágios. Você sai da sua cidade, entra na auto-estrada, retira um ticket, como se estivesse entrando num estacionamento. E aí, te joga na estrada, corre, mas corre mesmo, por que afinal antes de entrar na cidade de destino você pagará o pedágio, e acreditem, é por tempo que você fica nela. Bom, isso é o que me falaram, se é verdade ou não, é outra história, o que importa é que eu corri com muito prazer. Risos.
Nessa história toda, ainda dei uma rateada. A primeira dentre todas do final de semana. Lá adiante você enxergava o pedágio, ok. Em cima de um dos guichês dizia “telepass”, e nos outros todos dizia alguma coisa que agora não lembro, afinal não foi o que me marcou. Bom, adivinhem em qual o Lucas foi. TELEPASS. Que é a mesma coisa que aí no Brasil, você passa direto, desde que você tenha o cartão e pague por isso. E lá ficamos nós tentando entender o que estava acontecendo que eu não conseguia passar. O melhor ainda foi ver eu dando ré, e os carros abrindo caminho pra passarmos, depois de descobrir que fomos no único guichê que não podíamos ir. Vale lembrar também como foi engraçado pra abastecer o carro. Que mania louca de “self service” que esses europeus têm. Desculpa por não ter feito um curso preparatório antes de vir pra cá de “como se auto servir em qualquer coisa que você queira fazer da sua vida”, “apresentação prática em slides de power point, mostrando como você abastece, compra um ticket de metrô, compra seu jornal, sua revista, pega seu carrinho de compras no super mercado, paga seu pedágio se por acaso não prestar atenção e cair no guichê self service, e isso tudo sempre podendo dar dinheiro a mais e recebendo seu troco da maquininha mais inteligente que você.” O fato é que nos quebramos pra descobrir como abastecia, e o que importa é que conseguimos.
Depois disso, de uma viagem super animada, com paisagens magníficas, chegamos a Turim. A cidade que todos esperávamos mais. Ou menos. Depende do ponto de vista. Esperávamos mais beleza, e menos estresse, menos pobreza, menos vuco vuco, menos várias coisas. Mas foi bom termos passado por lá pra conhecermos. E lá também revivi cenas do Brasil, como a de um mendigo vindo ao nosso carro pedir esmola na sinaleira. O que fiz? Falei em português, fácil. E lá se foi ele.
A noite, fomos para Aosta, cada vez mais próximos ao Mont Blanc. Monte Bianco, já que estamos do lado italiano. E bá, que cidade linda. Recomendo a visita. É uma cidade pequena, ao lado das montanhas, realmente aconchegante. Ficamos boquiabertos. Isso porquê ainda nem cogitávamos a possibilidade do contato com neve. Eis que de repente na vitrine de um ponto de informações turísticas, já no dia seguinte, vi um banner com uma imagem. Sabe essas imagens de power point que recebemos? Tipo uma dessas. Então entrei, perguntei onde era, e fomos. Dentre curvas, subidas, descidas, no meio de uma paisagem PERFEITA, com árvores amarelas, que não vemos no Brasil, com uma “espuma branca” na estrada, já que aquilo não podia ser neve e sim apenas uma espuma devido àquele sol, àquela temperatura. Então nem paramos o carro pra conferir, e foi só quando chegamos no parque que concluímos que toda aquela “espuma” era gelo. Provavelmente estava lá dias e dias desde a última vez que nevou, afinal nesse final de semana o sol estava de rachar,e todos sabemos que para nevar não pode ter neve. Não precisa ser meteorologista pra saber disso .
Chegando finalmente no parque, nos preparamos para a tal da caminhada de uma hora, como haviam nos falado no centro de informações. E lá fomos, em direção a linda imagem. Risos. Aqui, vale lembrar o que compunha meu traje: camiseta, moletom, casaco grosso, luvas, manta, calça jeans, e tênis ALL STAR. Muito esperto, eu sei. Foi esse tênis que ficou encharcado e deixou meu pé quase congelado, na uma hora de caminhada pra ir e na outra hora pra voltar, meio a gelo. Sim, muito gelo, nem eu acreditava. E no final nem sentia dor ou desconforto, aquela paisagem me deixava a cada segundo mais deslumbrado. Era algo totalmente novo pra mim. Estávamos lá, meio à montanhas, à natureza, à neve. Rindo, conversando, fotografando, pensando na vida, refletindo sobre a vida. E vendo o quanto somos pequenos perante o mundo. Quanta coisa ele tem pra nos oferecer e nos mostrar, e que às vezes somos muito egoístas por pensar pequeno, somente em nós, e no final estar desejando e sonhando muito pouco do que realmente podemos alcançar. Então, e a paisagem? A paisagem era do Lago d’Arpy, no meio dos Alpes cobertos por neve. Sim, chegamos até ele, e pra nossa surpresa, congelado. (Fotos)
Não, não nos decepcionamos e foi acredito eu, até melhor. Quem que tenha vivido somente em um país tropical sem ter nunca saído dele não sonhou em um dia pisar em um lago congelado? Eu sonhei. Tudo bem que não realizei o sonho porque faltou coragem. Mas o lago congelado eu vi, e não foi qualquer um. Risos.
Depois desse show da natureza, fomos mais perto ainda do Monte Bianco. Saímos de Arpy em direção à França. Quase na França dá pra se dizer, já que seguimos a direção errada e acabamos em outro pedágio. Esse um pouco diferente, com entrada pra França. Sorte que eu falei que queria ir no Monte Bianco. Sorte que o cara do pedágio falava inglês. E sorte que mais uma vez os carros abriram espaço pra eu dar ré. Risos.
Então voltamos, andamos uns 2km, e fomos na direção certa. Por sorte o erro foi pequeno. Na verdade a sorte foi ter surgido esse pedágio pra não deixar a gente ir além.
Bom, o Monte Bianco em si está em todas as cidades do Vale d’Aosta. Então se alguém diz ter ido até ele, não significa ter subido nele. Você pode estar a 100 km mas estar nele. É incrível. Quero deixar isso bem claro, pra não diminuir a importância do meu contato com o senhor Monte Bianco. Sim, isso porquê quando chegamos no teleférico para subir, e tinha recém fechado. Que raiva, momento raiva do final de semana. Tudo bem, passou, uma vez que um dia eu hei de voltar lá, escalando. Novo sonho.
Incrível. Após uns dias com muitas saudades dos amigos e de casa, Deus me brindou com um dos melhores finais de semana da minha vida. Foi uma experiência muito esperada. Foi demais. A saudade continuou, mas esse presente me deixou muito feliz, assim como tem sido dia após dia. Cada um com uma novidade ou um presente. Em cada um, uma nova amizade, algumas muitas outras risadas. Sempre muito bom.

Beijos e Abraços
Saudades

sexta-feira, 16 de outubro de 2009

Dia após dia, 2 meses completos hoje!


Vou começar este post com um protesto: Abaixo a outonos com duração de três semanas. Sério, me diz pra que esse frio em pleno outono. Ok, protesto feito, uma vez que eu já sabia que o frio começa bem antes aqui.
Então, como sabem, agora estou ocupado novamente. Minhas aulas estão cada dia melhor, isso porque entendo mais italiano dia após dia. Essa semana, mesmo com o frio tirando o ânimo para sair da cama, foi uma semana muito legal. Muito divertida. Isso que vocês não presenciaram a festa de sexta feira passada, com todos Erasmus, ou então pela janta de segunda feira aqui em casa, (óóó, aqui em casa). Sim, agora toda segunda feira teremos jantas aqui, feitas por mim. Essa semana foi "nhoque"(foto). (Da esquerda para direita: Ana e Luis from Peru, Tati, Leti, Belly from Espirito Santo, João de Caxias do Sul, Ana do Espirito Santo, Ricardo de Caxias do Sul, eu, e Catalina from Colombia). Agora penso no próximo cardápio.
No começo da semana, meus professores de projeto, “progetto” , me colocaram em um grupo. Assim sendo, já pude conhecer novas pessoas. Meu grupo constituí de quatro pessoas, eu e três caras italianos. Hoje, sexta feira, (exatos dois meses que estou na Europa), aconteceu o primeiro encontro de grupo, para fazermos o trabalho.
Achei que seria pior, tipo eu olhando pra eles enquanto falavam. Ou eles falando e eu olhando. Ou então eles tentando me fazer entender algo, e eu olhando. Ou pior que isso, eles falando e eu de lado, olhando assustado. Risos. Mas foi muito bom. Um que quando não me entendiam em italiano, o que aconteceu várias vezes, eles me entendiam em inglês. Outra que eu acho que fiquei com uma boa imagem, isso porque tive a brilhante idéia de mostrar meu projeto do semestre passado. Ainda disse que fiz sozinho. Se assustaram, porque aqui eles fazem tudo em grupo, não sabem trabalhar sozinhos.
Enfim, modéstia a parte como sempre, continuo falando. Já tenho trabalho pra fazer, pra assessorar segunda feira com os professores. Bem empolgante. A única coisa que ainda não me empolga é ir pra aula de quarta feira. Não ir pra aula em si, mas sim para ir e ter aula com uma professora em especifico. Não comentei antes, mas cada aula tenho três professores no mínimo, isso facilita, afinal em cada uma tenho uns setenta colegas. Mas voltando ao assunto, sério, ela não abre a boca pra falar. Acho que deve ter labirintite ou algo do gênero. Ficamos lá, tentando entender o que ela fala, e rindo né, porque não dá pra negar que é muito engraçado. Melhor que isso só ela falando em inglês. VOCÊS DEVIAM TER VISTO. Foi a cena mais engraçada até hoje dentro daquela universidade. Fui tentar falar com ela, ela não entendeu meu italiano. Logo, chegaram meus outros colegas brasileiros ao lado. E saíram pra rua pra rir. Pois já que ela não havia entendido meu italiano, perguntei se eu podia falar em inglês então. Ela disse ok. Eu pensei ótimo. Ela começou a falar. Eu achei que fosse piada. Imaginem uma pessoa com a boca fechada, como se estivesse se mordendo, então peça pra essa pessoa falar em inglês com você. Uma idéia superficial do que aconteceu você terá.
Bom, e pra finalizar a semana não poderia deixar de comentar do book que eu ganhei. Sabem aquelas lojas de fotografia que atacam você convidando pra tirar apenas uma foto, sem compromisso mas que no final te enchem de fotos e arrancam uma grana de você? Pois é, não foi nada parecido. Risos.
Amanhã tenho que levar duas fotos 3x4 numa entrevista que farei, para permissão de moradia aqui na Itália. Quando cheguei no estúdio fotográfico para tirar a foto, uma senhora me disse que o pacote mínimo era de oito fotos. Pronto, vou sair distribuindo fotos por aí agora. O pior não foi o pacote mínimo, e sim a situação no todo. Entrei na sala, tirei o casaco. A senhora disse “não tira o casaco não, é melhor termos mais roupa para a foto não ficar tão sem graça”. Pensei, a tá, agora é um book. Não sei porque pensei isso, dito e feito. Sentei no banco, e lá vinha a senhora caminhando na minha direção. Chegou perto, arrumou o casaco, (a gola), e mandou eu sentar meio que de perfil. Pra que? Então, posicionou minha cabeça, meio inclinada, uma coisa meio foto de arquiteto na “Casa e Cia”. E não consegui, mas comecei a rir muito. Ela nem deu bola, deve ter pensado que eu estava adorando. Então pra completar, quando consegui ficar sério, ela me larga essa, “porque você está sério? Quero ver um sorriso aí”. Depois fez tudo isso de novo, comigo na posição contrária, virado para o outro lado. Resultado, tenho oito fotos 3x4 na carteira, de perfil e sorrindo. Nunca vi disso. Não consigo olhar pra elas que choro de rir.
Enfim, minhas semanas estão sendo ótimas. Estou conhecendo muita gente, e me divertindo muito. Espero que vocês aí no Brasil também. Leiam essa frase com muito cinismo e ironia na cara. Risos.
Só pra confirmar, minha passagem foi relocada já, chego em POA as 14:45hs, do dia 11 de fevereiro de 2010. Para o carnaval.

Beijos e Abraços

quinta-feira, 8 de outubro de 2009

E as aulas começam...


Vocês devem estar loucos para saberem como tem sido os primeiros dias de aula. Bem, pra começar bem, nada melhor que em plena 2ª feira sair com os outros alunos estrangeiros para beber. Todos muito legais. Mentira, tem algumas pessoas estranhas, que já nem sei por onde andam. Risos. Mas no geral, são todos legais. Fiquei impressionado com as tchecas, que transmitem uma alegria quase que brasileira, eu disse quase. Os chilenos, colombianos, peruanos, são bem parecidos com a gente também. Mas a maioria, feio. O que importa que todos nos damos bem, e que todos estão empolgados, angustiados, nervosos, felizes, enfim, em uma mistura de sentimentos vivenciando essa nova experiência.
Falando nisso, é difícil para mim aceitar certas coisas, e tomar certas decisões. Ainda mais quando se diz respeito a mim mesmo. Sou um cara difícil, decidido, e cobro muito de mim e de todos. Pode não parecer, mas cobro muito mais de mim do que dos outros.
Essa semana foi uma semana diferente das outras. Foi boa, mas diferente. Começaram as aulas, e o que era pra ter sido extraordinário, para mim foi um pouco frustrante. Agora já estou mais tranqüilo, pois precisou da companhia de outros colegas estrangeiros, para eu ver que eu não era o único a me sentir assim. Ontem, consegui inclusive curtir a aula de restauração arquitetônica.
Conversando com quem já passou por isso, me certifiquei de que esses sentimentos são normais. Ainda mais no meu caso, quando ainda estou aprendendo o idioma.
Também conversei com os professores, e eles se demonstraram realmente preocupados com os alunos estrangeiros, até porque não é a primeira vez que estes vêem para a universidade. Assim sendo, na matéria de 2ª e 3ª feira pela manhã, (Laboratório de construção), eles nos distribuirão por grupos de italianos, onde poderemos participar de melhor forma e não prejudicar nosso crescimento e resultado. Na matéria de 3ª feira a tarde e 4ª feira, (Restauração arquitetônica), a professora foi super legal conosco, e disse que entende todas angustias que passamos ou iremos passar, e que não é para nos preocuparmos com certas coisas, pois eles irão nos ajudar. Ou seja, estou me sentindo muito melhor, basta se dedicar para o curso agora.
Quando comecei a escrever, que falei que pra mim era difícil aceitar certas coisas, me referia ao dia de hoje. Pois então, como alguns sabem, hoje eu comecei meu estágio. E uma mistura de sensações tomou conta do meu corpo como nunca, e eu me senti o cara mais fraco de Novo Hamburgo, em Mantova. Risos. E se existe um sentimento que as pessoas não gostam de ter, é a insegurança. E eu então, ainda mais. Detesto “achar” que vai dar certo, tenho pavor de não acreditar no meu potencial. Pra mim é isso e ponto, não tem como dar errado, eu vou conseguir, é óbvio. Porém infelizmente hoje foi diferente. Fiquei vulnerável ao sentimento e a mim mesmo.
Parei, pensei, refleti. O que vim fazer aqui? Estudar. Porque me sinto mal? Porque não domino o idioma, estou inseguro quanto aos meus deveres como profissional, e com medo de deixar a desejar. E porque querer fazer o estágio então? Porque foi algo que já vim esquematizando na cabeça, desde o inicio da viagem, e desistir seria perder. E qual o problema de perder? Todos, eu não aceito perder.
Sim, me fiz todas essas e muito mais perguntas. Eu sei que no final eu conseguiria. Mas meu emocional não suportaria. Já é difícil por uma série de coisas e pelo próprio fato de estar aqui “sozinho”.
Imagine-se você, em um lugar diferente, idioma diferente, que você não domina fluentemente, tendo que estudar, e ainda desejando trabalhar. Ter a preocupação de ser aprovado nas matérias, fazer bem feito para poder dividir tudo com amigos e colegas na volta, e ainda ser um bom exemplo. Bom, querer fazer um estágio nessa altura, iria me complicar muito. No primeiro dia já foi essa cobrança, essas perguntas, imagine como seria daqui pra frente. Será que terei tempo para estudar, fazer os trabalhos, e atingir a nota desejável? Provavelmente, mas neste momento o que eu menos quero é estudar pensando se vou conseguir fazer tudo, e se vou conseguir cumprir meu papel de professional como esperado. O que eu quero, é segurança, é saber que vou fazer bem feito, é saber que se eu precisar de tempo, terei.
Infelizmente não posso seguir o ritmo que levo no Brasil. Tenho que recuar. E isso me dói muito. Quase que não admito e me obrigo a passar os próximos meses frustrado e angustiado pensando se vou dar conta de tudo. Ao mesmo tempo, correria o risco de estar aqui por estar, e não vivenciar como deveria.
Vale perguntar, qual foi o meu principal objetivo de ter vindo aqui? Estudar. Eu sei que todos vocês sabem disso, mas eu preciso ficar falando várias e várias vezes pra mim, pra parar de me cobrar. Pois inventei de colocar o estágio na cabeça e agora não consigo tirá-lo de lá. Se fossem 2 meses atrás, eu inventaria qualquer desculpa e não assumiria tal fraqueza. As vezes é preciso recuar. E hoje eu fiz isso.
É uma pena, mas não sabemos o que o futuro nos reserva. Sei que apenas vindo pra cá estudar, muitas portas se abrirão. Penso o quanto seria bom estar em um escritório, mas pra isso eu precisaria estar mais preparado, e de momento me sinto capaz apenas para estudar. Muita experiência vou ganhar, e pra isso preciso aproveitar. Quero realmente fazer bem feito, então, cabeça tranqüila, sem estresse, sem angustia.
Quem diria, estou aprendendo a falar comigo mesmo, e trabalhar meus anseios. Risos. Agora se fiz certo ou não, só saberei daqui pra frente.

Beijos e Abraços

domingo, 4 de outubro de 2009

"LAR DOCE LAR"

Finalmente, vamos começar a falar de Itália. Falar do meu "novo lar", onde ficarei nos próximos quatro meses. Contemplo-os com uma linda foto, clima de outono, da rua do "meu" apartamento.
Então, saindo de Munique na Alemanha, vim para Mantova. Hoje faz 13 dias que estou aqui. Sim, já estou falando fluentemente italiano. Ok, mentira. Mas tenho praticado meu dialeto próprio, o “gaguejano”. Constitui em enquanto alguém fala com você em italiano, você ficar olhando para a pessoa com cara de árvore, e ao tentar responder, gaguejar o quanto puder. Tem que se dedicar para ter fluência. E a interpretação nas caras tem que ser muito boas, se não o real sentido se perde.
Enfim, como sabem , vim aqui para estudar um semestre de arquitetura, e ficarei em um apartamento com mais três pessoas. Dois peruanos e um ponto de interrogação. Sim, porquê antes era pra ser uma Polaca, a qual chegou, não gostou do apartamento, saiu, e nos deixou na mão. Agora procuramos um quarto componente. Estamos próximos da decisão, as ligações já vão ser encerradas, já são mais de 1 milhão de ligações para decidir quem será o novo BBB. “É com você Bial”.
Na minha primeira noite no apartamento, foi uma espécie de teste psicológico. Sim, porquê aqui estava eu, sozinho, sem enfeites, sem path Works da minha mãe espalhados por tudo que é lado, sem tapetes, sem televisão. Mas foi fácil. Acreditem. Com 4 camas, divididas em dois dormitórios, pude perder alguns minutos testando qual seria a melhor, e finalmente escolher a minha. Também escolhi o lado do guarda roupas, o lado da cômoda, os melhores cabides, o melhor travesseiro, e já fui mirabolando planos para os próximos dias. “Uhmmm, quando chegarem faremos uma faxina”. “Uhmmm, esse sofá ficaria melhor naquela parede”. E assim se pensou, assim se fez. Quanto a televisão? Não estou perdendo nada, posi tenho uma Internet de 8mb, muito boa. Já baixei vários filmes também. Alguns que estão no cinema, dentre eles os Normais 2. Tudo bem que a qualidade é de “Cam”, (quando alguém leva uma câmera para dentro do cinema e filme todo filme, com direito a pessoas passando na frente, ou risadas exageradas durante o filme). Também assisto alguns programas como CQC, TOMA LÁ DÁ CÁ; ouço as rádios daí, como minha favorita Pop Rock. E assim vai, estou me sentindo em casa. Falta um ou outro tapetinho, um path work, mas no mais está tudo legal.
Quando os peruanos chegaram, começou a ficar mais real. Comecei a pensar quando iria me irritar a primeira vez. Eles são muito calmos, e num primeiro momento, a guria não fazia umas caras agradáveis, já estava começando a contar até 1000. Graças a Deus aos poucos as coisas foram melhorando. Eles viram que eu sou engraçadinho, e descolado. Risos. Logicamente quiseram ser meus amigos. E agora estamos em sintonia, criamos uma rotina, e obviamente eu não poderia estar mais feliz, já que sou eu que coloco as regras. Aqui vale lembrar a parte de cima, “eles são muito calmos”.
Tirando as brincadeiras de lado, falando um pouco mais sério, realmente não achava que seria tão bom como está sendo. A cidade é simplesmente linda. Ela mistura a essência de cidade do interior, com uma vida urbana mais agitada, com bares, lojas de marcas famosas, e pessoas pra tudo que é lado. Isso tudo porque ainda não esfriou, porque quando esfria as pessoas tendem a sumir. Não vai ser difícil, porque em uma cidade com 49 mil habitantes, não precisa de muito espaço pra essa gente se esconder. Acredito também que isso não será um problema, já que comigo são 50 alunos estrangeiros, e festas nos apartamentos provavelmente irão bombar. Seja frio, ou calor. O que percebi esse final de semana, ao conhecer alguns dos futuros colegas, é que potencial para isso teremos. Fica no ar.
Já ia me esquecendo de comentar sobre o dono do apartamento. Luigi. Um senhor com uns 60 e poucos anos, que nos é muito atencioso. Começando pelo fato que quando chegamos na estação de trem, lá estava ele com uma bandeira do nosso país, nos esperando. Bem tri. Ele também te leva pra conhecer a cidade, a pé, mesmo que você não queira, e faça cara de que está feliz. Infelizmente eu estava podre e não pude entrar no clima do passeio, mas ele também nem percebeu. Acho que deve ser um desejo dele, trabalhar com turismo. Tudo bem, o passeio gerou ótimas fotos. Ele também me levou pra fazer toda documentação necessária para permanecer aqui, e depois me apresentou para a coordenadora de intercâmbio na faculdade. Super gente fina, ele.
E assim fomos nos habituando com a cidade. Conhecendo os super mercados mais baratos, aprendendo a apenas comprar coisas com lista, aprendendo a fazer listas inteligentes, e também estipulando cardápios a base de muita “pasta” para todos os dias da semana.
Se isso vai funcionar eu não sei, porque estudaremos durante o dia, quero só ver como vai ser pra vir da faculdade, cozinhar,limpar, e voltar pra aula a tarde. Ok.
A cada dia que passa tudo se torna mais legal. Achei que por ser uma cidade pequena, seria como estar no fim do mundo. Mas ao contrário disso, é muito bom estar aqui, é como se sentir em casa. Quando volto para o apartamento, da rua, já me sinto voltando pra casa. E literalmente já estou em casa. Já faço meu chimarrão, olho filmes, atirado no sofá, e assim vai. Hoje, andei de roller por duas horas. Tudo bem que os últimos 30 minutos foram mais pra eu me achar e encontrar uma rua asfaltada para conseguir voltar. Porque achei que conhecia tudo e mais um pouco, e não são todas ruas que estão asfaltadas, logo, acabei tendo que fazer outro caminho.
Amanhã finalmente começam as aulas, e eu finalmente saberei se vou me sentir bem, ou apavorado. Isso porque quero saber como serão essas aulas. Como será minha relação com o idioma. E na quinta feira, começo meu estágio. Mas pelo estágio já sinto algo, nervosismo. Quero só ver.
Também venho pensando qual será meu horário pra malhar, sei que a universidade nos oferece infra-estrutura para esporte, podendo fazer academia ou até mesmo esportes como rapel, hipismo, futebol, etc. Ah! E também tem, para alunos estrangeiros, em 2as, 4as e 6as, aulas de italiano durante duas horas. Depois disso tudo, fico pensando como e quando vou viajar novamente. Muita coisa na cabeça, melhor deixar acontecer. Isso aí, sem estresse, tudo está dando certo, e acontecendo perfeitamente.
Agora vou dormir porque amanha tenho aula. Saudades de todos.

Beijos e abraços

quarta-feira, 30 de setembro de 2009

O final do mochilão e os últimos países!

Portugal – Lisboa e Porto
Após passar uma noite no trem, eis que chego em Lisboa. Por minha sorte a estação de trem que desci, era 1 km do albergue que eu ficaria.
Será? Bom, aí que vem a pergunta. Porque ao sair da estação, perguntei aos taxistas onde ficava a rua do meu albergue. Então, me indicaram um caminho, e lá fui eu. A única coisa estranha era que ao encontrar a rua, ela não se chamava “rua”, e sim “via”. Logo concluí que rua era via em português de Portugal. Concluí errado. Via é via, rua é rua. Uma vez que eu estava parado em frente ao número do que deveria ser o albergue, após caminhar uns 2 km e não 1 km, e sem nenhum albergue e sim uma confeitaria. Por sinal, muitas confeitarias por Lisboa.
Questionei a funcionária do local sobre o endereço, ela me mandou para outro lugar. Sentido oposto ao que eu vinha caminhando. E lá fui eu de novo. Mas estranho, não era rua de novo, era “estrada”. Seria piada? Já que estava em Portugal. Dito e feito, lugar errado novamente. Eis que uma senhora muito atenciosa imaginou que eu estivesse procurando um albergue, num endereço com mesmo nome daquela “estrada”. (Porque será né? Pela mochila de 15 kg nas costas?). Fui então em direção ao endereço, pensando no que mais além de rua poderia existir, porque já estava até aceitando a idéia de me tornar nômade e ficar apenas perambulando. Lá estava eu, num bairro onde o mesmo nome serve para três endereços, um rua, um via, um estrada. Mas tudo bem, na terceira tentativa eu achei.
Lembro também que ao chegar no albergue, perguntei se a recepcionista sabia a previsão do tempo para o dia. Eu sinceramente até agora não entendi porque ela perguntou se ela tinha cara de adivinha e começou a rir muito, como se fosse uma ótima piada. Será que eles não tem jornal, ou previsão do tempo? Estava começando a ficar assustado.
Fui ao meu quarto, me troquei, e comecei meu passeio. Quis fazer tudo sozinho, inicialmente. Peguei um ônibus, e pedi ao motorista que me avisasse quando fosse tal parada pois precisava descer lá. Ele me informou que iria aparecer o nome no letreiro. O que também foi uma mentira, pois depois de 40 minutos andando por Lisboa, resolvi perguntar a ele se já havíamos passado do ponto. Pois eu estava sozinho dentro do ônibus. E a resposta? “Claro que já pois!Estamos no final do trajeto, o ônibus fica fazendo círculos na cidade” Super educado ele. O estranho é que estou esperando até agora para ver o nome da parada no letreiro digital.
Enfim, tudo estava me deixando realmente impressionado. Pois o nível de piadas locais estava realmente muito alto, gente que vive num mundo a parte, concluí.
Quando cheguei onde realmente queria chegar, umas duas horas depois de sair do albergue, finalmente peguei o ônibus turístico, e tive o prazer de conhecer a cidade. Linda. Demais. Vale muito a pena, principalmente a parte nova, (EXPO 98 - foto acima). Logo, todas as piadas vividas foram esquecidas, pois realmente a cidade era encantadora. E depois de dois dias ótimos na cidade, fui para Porto. Era sexta feira, e lá estava eu lembrando que nas últimas sexta feiras alguma coisa tinha dado errado. No caso, a sexta feira anterior tinha sido o assalto em Barcelona. Pensei no que poderia acontecer agora. Medo.
Cheguei em Porto,e adivinhem, cidade lotada. RISOS. Lucas não fez reserva de albergue, ok. Esperto. Lucas ficou procurando albergue durante 3 horas, a pé, dentre trancos e barrancos literalmente, com a mochila de 15kg nas costas. Se encontrei? Não, não encontrei. Todos lotados, pois naquele final de semana iria ocorrer o “Red Bull Air Racer”.
Lá pelas tantas, um dos albergues lotados me indicou outro albergue. Fui até lá, e adivinhem ,lotado. Mas pelo menos o pessoal que trabalhava lá era muito legal. Me acolheram, me colocaram pra dormir numa sala, e nas noites seguintes, numa cama extra, num dormitório. Quem quiser a dica, me cobrem. Ótima infra, preço bom, atenciosos.
Por falar em atenciosos, essa foi A diferença de Lisboa para Porto. Lá, as pessoas te tratam bem, fazem questão da presença de turistas na cidade, ficam felizes. Me senti muito bem.
Sem esquecer que fiquei deslumbrado com a cidade. Me surpreendeu. Foi perfeito. No sábado com direito a realização de outro sonho: Show do Moby. Tudo bem que passou rápido como tudo que é bom, e tudo bem que eu não acredito que eu fui no show deles. Só sei que cheguei cedo, fiquei na frente. Cara a cara. Fiz vários vídeos, em alguns eles acenam para mim. E no final ainda perguntaram: “Alguém do Brasil aqui?”. Eu levantei a mão, e como estava BEM na frente eles viram, e falaram para MIM: “Ano que vem é provável que nós iremos ao Brasil”. DEMAIS

França – Paris.
No dia seguinte, após tudo isso, fui para Paris. Mas sabe quando você não está com tanta expectativa, sem saber o porque? Assim eu estava. Sem saber o porque, já que todo mundo adora Paris. Opa, lembrei porque. Devia ser porque não fui bem tratado na estação de trem que passei na França, antes de ir pra Espanha.
Em Paris, fui mal tratado também. Sim, falarei mal o quanto puder dessa cidade, ou melhor, das pessoas. Claro, não foi nada que abalasse meu passeio, ou tirasse o brilho da Torre Eiffel. Mas fica a sugestão do dia: não vá a Paris sozinho. Ou melhor, se for a Paris, vá com um grupo, de brasileiros de preferência, pois são esses os únicos educados na cidade. E como tem brasileiro lá, Jesus.
Ao mesmo tempo, parei pra refletir sobre tudo que eu estava reclamando. Eles não falam inglês. E nós brasileiros falamos? Eles furam filas na cara dura. E nós não adoramos ser espertinhos? Então calma aí Lucas, porque deve ser a mesma coisa quando alguém de outro país vai para o Brasil.
Claro que temos alguns defeitos iguais, mas no Brasil nós tentamos ajudar, e lá no final conseguimos. Deve ser por isso também que os Europeus adoram nosso país.
Do que adianta ter a cidade que têm, porque afinal eles acham que estão na melhor cidade do mundo, e agirem como agem. Não adianta nada. Por isso Paris pra mim ficou com a imagem de cidade fria, de gente mau com#*@!! Fica subentendido.
E não me venham dizer que Paris é segura, porque a cada ponto turístico que eu fui tinha um truque diferente pra te sacanearem. Na Torre Eiffel alguma mulheres indianas vinham perguntar se você falava inglês. E logo vinha outra pra perto, porque será né? Bater carteira!
Na praça da concórdia, surgem pessoas achando anéis de ouro, e perguntando se é seu. Esse truque não sei qual é até agora. Porque apenas passei a pé pelo local, e na ida um cara juntou um anel, e na volta uma mulher. Aí que me liguei. Coitada, ela veio perguntar se era meu, e saiu com uma lista de desaforos em português, de brinde. Com medo também,, depois da cara que fiz.
E ainda temos, em plena Torre Eiffel, no elevador, batedores de carteira. Com direito a plaquinha avisando pra cuidar, já que eles não se responsabilizam. Olha que audácia.
Bom, após ter “amado” a cidade, as pessoas, tudo tudo, fui para Amsterdã. Minha última cidade.

Holanda – Amsterdã
Cheguei lá e já preparado para frieza, ou do péssimo atendimento nos lugares, como haviam me dito, me surpreendi. Todas pessoas que conversei me trataram super bem. Tudo que conheci foi novo, assim como também surpreendente. Pra ter idéia, o albergue que eu fiquei, tinha um “smoking room”. Para fumar isso mesmo que você está pensando. Sabe aquele desejo que temos de viver num lugar liberal, sem regras, ou com “irregularidades legalizadas”? Pois é, não tem graça alguma. É engraçado, e deu. Quando você não faz parte desse mundo, ou dessa cultura, não tem a mínima graça.
Claro, foi demais conhecer a cidade, é linda demais. Parece cinema, eu recomendo. Mas não espere ser alguém que você não é, porque vai se decepcionar consigo mesmo. Apenas vá e conheça. Já vale muito a pena.
Já vale pelos bairros divididos por canais, que a cada 10 passos você encontra um. Ou então pelas super ruas movimentas a noite, com direito a prostituição legalizada, estampadas em vitrines com cortinas vermelhas, e atrás dessas, prostitutas prontas pra te baterem caso tirem uma foto, (fica no ar). Turistas e gente jovem pra tudo que é lado. Gente jovem? Não me diga. RISOS. Só mais uma coisa, não, não vi ninguém morando em barcos, como na novela da “moça bonita”, faltou achar isso pra deixar Amsterdã com cara de Amsterdã.
É, a viagem foi perfeita. Aprendi muita coisa. Muita coisa que me foi útil inclusive pra essa nova fase que estou vivendo: convivência em grupo com pessoas que não conhecia. Está fácil.
Assim me fui de Amsterdã, rumo a Munique novamente, para buscar minhas coisas que deixei lá. Finalizei meu mochilão com chave de ouro, e com bastante cerveja. Na October Fest. Que por sinal valeu muito a pena ter ido. Quando programar uma viagem à Alemanha, programe final de setembro. O evento é realmente merecedor de sua visita.
Então, a partir de agora vocês vão vivenciar histórias que narrarei daqui da Itália. Da própria Itália. Minha convivência, minhas experiências, minhas futuras viagens. Enfim, estou no meu “provisório lar” pelos próximos 4 meses e meio.
Isso aí, está passando, 4 meses e meio faltam para acabar tudo isso. Está voando!

Beijos e abraços. Saudades sempre!

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Os primeiros países

Suíça – Genebra e Zurique
Bom, ao planejar minha viagem, o primeiro país a passar seria Suíça. O que para um começo não foi nada mal, afinal, quem nunca quis conhecer algumas cidades deste país. Quem nunca recebeu algum power point com fotos e mais fotos de lá.
Então, a primeira cidade escolhida foi Zurique. A primeira de todas as tantas que eu ainda iria conhecer na Europa.
E não foi só a primeira cidade. Foram os primeiros anseios, os primeiros sustos. Foi chegando em Zurique que desci na estação errada e já bateu um nervoso. Mas deu tudo certo, já que a estação que eu devia descer era apenas 5 minutos após. E eu apavorado achando que estava mega perdido.
Enfim, a cidade é muito linda. Muita limpa, organizada, cenário de cinema. Tudo bem que para um filme do estilo “O Diabo veste Prada”, onde as pessoas pagam 4 Euros por uma água e acham normal. Eu não achei. Mas ok.
Era muito verde, um lago azul, azul do cal na verdade. Devido as montanhas, os Alpes suíço. Olha que nojo, Lucas já viu os Alpes suíços de perto. Não perto perto né, mas mais perto que os power points. E espero que no inverno eu volte lá, para esquiar.
Como eu ia dizendo, tudo muito caro. (Ai Lucas, para de reclamar.) Ok. Então vamos para a próxima cidade, Genebra. Que foi exatamente o que fiz. Passei o dia em Zurique, caminhei, caminhei, caminhei, e caminhei, e a noitinha fui pra Genebra.
Umas 3 horas depois de entrar no trem, lá estava eu, em Genebra. A cidade, parece Zurique multiplicada algumas vezes. Muito parecidas, até o jato de água no lago. Claro que o de Genebra é muito maior. Não vamos menosprezar seu desempenho. Risos.
Logo que chegasse em Genebra, eu deveria reservar minha passagem para Barcelona. Isso porque eu ia dormindo no trem, cama, essas coisas. Hotel Trem eles chamam. Mas quando fui fazer isso já estava lotado. A única opção foi antecipar a passagem para a manhã do dia seguinte.
Logo, lá estava o Lucas, a tardinha, de um dia cansativo, correndo para o albergue para tomar um banho e ir conhecer a cidade. Dito e feito. Fui conhecer a cidade. Uma pena que não consegui ir na sede da ONU. Mas o que vi, eu gostei. Eu disse gostei, não “gastei”, porque afinal estava decididamente a não pagar um tustão pelos preços abusivos das coisas.
Bom, a noite estava em um restaurante na beira do lago, meio a uma praça, (não era eu que não ia gastar nada), eis que de repente no meio da praça surge um DJ. Mais legal que isso foi de repente começar a tocar os hits do momento (Miami “beach” inclusive). BEM BOM.
E assim fiquei por Genebra, até meia noite mais ou menos. Caminhando pra lá e pra cá.
Para ínicio de viagem, comecei bem, valeu a pena.

Espanha – Barcelona e Madri
Como disse, de Genebra a Barcelona. Como eu ia dormindo antes, não tinha nem dado bola para o número de horas dentro do trem que eu passaria.
Mas bá, ficar 12 horas dentro do trem, durante o dia, realmente é cansativo. Sem dizer que tive que trocar de trem na França. E que lá já me deparei com algumas coisas desse país, como o fato deles não falarem inglês.
Lucas sai do trem pra trocar, e tenta perguntar informações, quem disse que algum funcionário ajuda. Ok. Sorte que a primeira pessoa, “não funcionário”, que perguntei, estava esperando o mesmo trem que eu, e falava inglês. Ufa.
No trem, já indo da França para Espanha, conheci duas americanas. Gordinhas, como a maioria dos americanos. Muito legais, me dando bola, e meu inglês nível 4 bombando. Brincadeira, eu me surpreendi comigo mesmo, me virei bem com o inglês, e numa dessas até recebi elogio de um canadense. Tudo bem que ele era meio surdo, mas o que importa foi o elogio. Brincadeira, não era surdo não, é que eu disse que o inglês era do “colégio”, já que no Brasil temos uma ótima educação. Olha eu enchendo a bola do meu país, palmas!
Voltando então, lá estava eu no trem, conversando com as gurias. E assim fomos até Barcelona. Sem esquecer daquele odor que comentei, dos franceses. Uma vez que troquei de trem na França, estava quente, muitos franceses no trem, essas coisas, sabe né...
Quando chegamos ao destino, resolvi acompanhá-las ao metro, em direção aos nossos albergues. E lá, dentro do trem, eis que entram 5 figuras super importantes para a novelinha de ação que estaria por se criar. Eram 5 homens (não vou descrevê-los para não parecer preconceituoso, mas imaginem algo como o perfil desses caras que vendem rede no nosso litoral... é o máximo que detalharei), em grupo obviamente. Entraram no trem e se alguém perguntasse para onde iam eles não saberiam responder. Afinal, estavam decididos a nos roubar. Mas as antas nordestinas não notaram isso. Quando notamos era tarde. Eles haviam aberto a mochila de uma das gurias e roubado a carteira. Por SORTE, como ele saltou na próxima estação, se ferrou, porque aquela era a nossa estação. Aí que eu entro na história. Lá fui eu, correndo atrás do cara. E os outros 4 sentados, fingindo esperar o próximo metrô, meio que barrando nossa passagem. Mas mesmo assim eu consegui. E fui, com uma mochila de 15 kg nas costas. E corria, corria, corria. Ele desceu umas escadas, e aí meu amigo, acabou. Estava num corredor sem saída. MUITOS RISOS AGORA. Ele era pequeno, e ficou com medo de mim. Ou seja, estava sem arma, eu estava suado, com cara de apavorado e não de bravo, mas pelo visto devem ser muito parecidas as caras. Ele jogou a carteira no chão, eu peguei, e o xinguei em inglês. Não sei porquê. De repente porque as amigas eram americanas, dã.
Após isso, fomos para nossos albergues, e no dia seguinte uma viagem maravilhosa começou. Nossa, foi demais. Apesar de ter que ficar o tempo todo ligado com os malditos ladrões, foi muito legal. Conheci coisas que sempre sonhei em conhecer, e no momento nem acreditava em estar lá. O tempo colaborava a cada minuto. Era sol e calor. Era marca de camiseta e de óculos.
Foram 3 dias ótimos. Conheci muita gente também. O albergue tinha 6 andares, hospedava umas 400 pessoas mais ou menos. Bem ao lado da Casa Gaudí, muito bem localizado. Os passeios foram ótimos, peguei um ônibus turístico durante dois dias, o que me proporcionou conhecer lugares como A Sagrada Família (o que pra mim foi o menos emocionante), ou o próprio parque Guell, DEMAIS. O 3º dia me dediquei a parte nova da cidade, a praia. Valeu muito a pena. Fui no aquário, que é o maior de não sei o que. Ok, todo lugar que eu ia, tinha um aquário maior que não sei o que. Nesse papo eu não caio mais. Mas foi ótimo também. Eu realmente parecia uma criança.
Bom, ficar descrevendo cada coisa seria muito cansativo para quem lê. Para isso ficam as fotos. Agora vamos para Madri.
Saí de Barcelona e em 3 horas estava em Madri. No albergue que fiquei, a recepcionista faxineira telefonista camareira, ou seja, a faz tudo, era brasileira. Muito querida ela. Pena faltar um dente bem na frente. E pra ela iria bem uma dieta, sem carboidratos também. Fica dica. Como ia dizendo mesmo, o albergue era muito legal, ótima localização.
O que me proporcionou poder passear a pé por Madri. Pelo menos nas partes principais.
E assim fiz, conheci tudo que tinha direito, e ainda fiz amizade com um pessoal de lá. Dentre eles Álvaro e Ana. Os que me acompanharam em um dia de passeio. Me levaram até a uma arena de touradas, e ao Real Madri. Bem desocupados, mas muito legais. Já tenho amigos pra quando for novamente.
Madri foi uma cidade que não me chamou muito a atenção. Apesar de bonita, de estar repletas de praças, não foi algo que eu dissesse que me agrada 100%. Isso porque achei as praças muito secas. Você está lá, em um calor de matar. Não tem praia. Mas tem praças. Daí você vai ás praças, e encontra brita e mais brita, e lá no fundo uma árvore.
Claro que posso estar exagerando, mas muitas praças são assim. Exemplo disso é a Praça Maior (foto). Muito conhecida, mas nada arborizada. Ok, não é o objetivo da praça, mas então não me encham de mesas e cafés no local. O povo não agüenta.
Diz que Madri é uma cidade cheia de festas. Pena eu ter ido durante a semana então. Diz que o Lucas voltará para conferir. Diz que.
Enfim, já estou tonto de tanto escrever, e tanta informação. Isso que não deve ter sido nem 10%, o que dizem que é o que a gente absorve de tudo que aprendemos. Estou devagar ultimamente, mas prometo voltar a exercitar o cérebro.
Por hoje é isso. No próximo post escrevo sobre Portugal, França e Holanda.

Bjos e Abraços